19/08/2013 - O mercado de impermeabilização e suas “novidades”

*Por Adilson Munin

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O mercado brasileiro de produtos destinados à proteção das estruturas contra a passagem de água e outros líquidos é provido por empresas, em sua grande maioria, voltadas ao desenvolvimento, adequação e especificação de produtos capazes de evitar e também solucionar os problemas advindos da ação indesejada provocada pelos vazamentos e infiltrações.

De uma forma geral, as soluções apresentadas por estas diversas empresas passam por produtos similares entre si, uma vez que boa parte deve ser respaldada por alguma norma de desempenho que habilite a aplicação do produto para uma determinada solicitação, ou seja, para cada situação a ser controlada haverá um determinado tipo de produto a ser especificado.

Neste sentido, algumas situações devem ser levadas em conta no momento da especificação de um produto para proteção da estrutura, isto é, a composição desta estrutura, variações térmicas, o ponto em que está localizado na edificação, como muro de arrimo, subsolo, áreas frias, paredes, lajes de cobertura, garagens, floreiras, piscinas, espelhos d’água, telhados ou até mesmo em túneis e barragens.

Diante destas situações apresentadas, podemos concluir que jamais haverá um único produto que atenderá todas estas solicitações de uma maneira eficiente, portanto, quando nos é apresentado um produto ou sistema que atenda a todas as solicitações de uma edificação, este deve ser olhado, no mínimo, com desconfiança. Isto porque – ainda bem – grande parte das empresas indicam seus produtos graças a um trabalho de pesquisa e desenvolvimento e também a uma pesquisa do mercado e suas necessidades, submetendo as soluções a criteriosos ensaios de laboratório, aplicação em campos de prova, certificações variadas, etc.

Isso tudo ainda respaldado por comitês específicos criados pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), para que tais produtos sejam normalizados e homologados e atendam aos requisitos especificados por estes comitês com a finalidade de garantir o desempenho do produto frente à condição na qual ele será utilizado.

Isto nos leva a crer que um produto destinado a uma determinada aplicação não nasce da noite para o dia, ou seja, por trás de cada produto existe todo um trabalho, um tempo de pesquisa, um empenho específico que foi dedicado à sua criação, envolvendo profissionais com expertise necessária a cada tipo de situação.

Infelizmente, e na contramão de tudo isso, chegam as novidades, os produtos relâmpagos, que são apresentados como solução única e eficaz para todo tipo de situação, os quais são indicados desde a “simples impermeabilização de uma laje”, até a aplicação como proteção de obras mais técnicas e de grande porte.

Estas novidades, salvo algumas mínimas exceções, acabam criando uma situação desconfortável no mercado, pois quando surgem, geram expectativas ao cliente final, como condomínios, construtoras a até mesmo aplicadores, que por muitas vezes apostam na sua utilização de acordo com a propaganda - normalmente atrelada a preços atrativos. Entretanto, quando aparecem os problemas, estas empresas muitas vezes já nem existem mais, deixando um rastro de problemas sem solução.

Tais produtos acabam criando, principalmente junto ao consumidor final, a ideia de que a impermeabilização não funciona. Um exemplo é a opção por coberturas com telhados ainda ser preferida no Brasil, apesar de todas as limitações que estas apresentam.

Outra dificuldade que encontramos ainda hoje são pequenos construtores que insistem em convencer seus clientes que uma simples aditivação na argamassa, uma pintura asfáltica na laje ou ainda a colocação de um revestimento cerâmico já garantem a estanqueidade da estrutura.

Esta cultura aliada aos insucessos provocados por alguns produtos fazem com que haja uma resistência à utilização por produtos adequados. E esta soma de fatores desfavoráveis leva o Brasil a uma situação preocupante quanto à longevidade das estruturas em função da preservação contra as infiltrações, colocando-o numa posição indesejável no ranking dos países preocupados com a preservação de suas estruturas e sustentabilidade.

Portanto, quando nos deparamos com a necessidade de proteção de uma estrutura, devemos analisar e lembrar que a integridade desta estrutura estará diretamente ligada à decisão que foi tomada anteriormente, seja pela opção ao não tratamento ou mesmo pela definição de qual sistema a ser utilizado. É sempre importante ter em mente que na impermeabilização são gastos em média de 2 a 3% do valor total da obra, mas o insucesso pela não utilização ou aplicação de um sistema inadequado terá um peso substancial em valores, podendo acarretar prejuízos irreparáveis devidos aos efeitos secundários.

Concluindo, vale ressaltar que ao se optar por um tipo de produto ou sistema devemos sempre nos atentar à idoneidade do fabricante e também à qualidade do produto, que deve estar respaldada pelo histórico de desempenho em relação aos produtos colocados no mercado ao longo dos anos.

*Adilson Munin é Gerente Comercial para o Mercado Industrial da Viapol, especializada em soluções para a impermeabilização e proteção das obras da construção.

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